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EduWellTech destaca a importância do II Encontro de Gestoras Negras, em Cachoeira/BA


Evento reunirá lideranças de diferentes instituições para discutir protagonismo, aquilombamento, justiça racial e os caminhos para uma governança universitária mais democrática e comprometida com o cuidado.


Entre os dias 13 e 15 de agosto de 2026, Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, receberá o II Encontro de Gestoras Negras: Protagonismo, Aquilombamento e Justiça Racial na Universidade. Realizado no campus do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL/UFRB), o evento conta com o apoio da EduWellTech.


A segunda edição amplia o alcance da primeira edição do encontro realizado em novembro de 2025, em Brasília (DF), no mesmo calendário da Marcha das Mulheres Negras que reuniu milhares de mulheres de todos os estados brasileiros, sob o lema "Por Reparação e Bem Viver", exigindo políticas de reparação histórica e um novo pacto civilizatório. Neste ano de 2026, em Cachoeira (BA), a iniciativa reúne reitoras, pró-reitoras, diretoras, pesquisadoras e lideranças de instituições de diferentes regiões do país, consolidando um espaço de articulação sobre as condições de participação e liderança de mulheres negras na educação superior brasileira.


Mulheres negras e a transformação da governança universitária


A presença de mulheres negras em espaços estratégicos de decisão não se limita à ampliação da representatividade. Suas trajetórias, experiências e conhecimentos contribuem para interrogar práticas institucionais historicamente estruturadas pelo racismo e pelo sexismo e para formular políticas mais sensíveis às desigualdades, às ações afirmativas, à permanência estudantil e às condições de vida e trabalho nas universidades.


Isso não significa atribuir às mulheres negras a responsabilidade exclusiva de transformar instituições desiguais. Significa reconhecer que sua participação efetiva qualifica a tomada de decisão, amplia os temas considerados prioritários e fortalece formas mais democráticas e socialmente responsáveis de governança.


Essa discussão também se relaciona ao que a EduWellTech compreende como governança psicossocial e participativa: uma perspectiva que incorpora à gestão institucional aspectos como saúde mental, qualidade de vida, pertencimento, convivência, cuidado, prevenção das violências, enfrentamento das desigualdades e o bem viver. Uma universidade não se torna inclusiva apenas por ampliar o acesso. É necessário produzir condições concretas para que estudantes, trabalhadoras, gestoras e demais integrantes da comunidade possam permanecer, participar e exercer suas atividades com dignidade.


Da pesquisa de Cássia Virgínia a uma agenda coletiva

O Encontro constitui um dos desdobramentos públicos da tese de doutorado em Psicologia Social de Cássia Virgínia Bastos Maciel, em fase de conclusão na Universidade de São Paulo. Psicóloga e Pró-reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil da UFBA, Cássia investiga as trajetórias de mulheres negras em posições estratégicas da governança universitária brasileira.


A pesquisa examina os limites e as possibilidades dessas experiências de liderança, incluindo as condições de penosidade que podem atravessar o trabalho quando as responsabilidades da gestão se combinam às desigualdades raciais e de gênero. Nesse enquadramento, saúde mental, cuidado e condições de exercício da liderança deixam de ser temas periféricos e passam a integrar a própria discussão sobre qualidade de vida em instituições de ensino superior.


Na UFBA, essa sensibilidade também se expressa na atuação de Cássia junto às políticas de ações afirmativas, assistência estudantil e proteção psicossocial. É nesse campo que se fortalece o diálogo com a EduWellTech, por meio da cooperação técnico-científica desenvolvida como vice-coordenadora do Projeto Mãos Dadas/UFBA, voltada à produção de evidências e ao desenvolvimento de indicadores e de estratégias de monitoramento da saúde mental, do bem-estar e da permanência universitária.

O apoio ao II Encontro dá continuidade a essa convergência entre pesquisa, gestão, relações étnico-raciais, inovação psicossocial e compromisso institucional com o cuidado.


De Brasília ao território ancestral de Cachoeira

Se a primeira edição dialogou diretamente com a mobilização nacional da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília (DF), a realização do segundo encontro em Cachoeira (BA) acrescenta uma dimensão histórica, territorial e ancestral à iniciativa.


A programação deste ano ocorre durante o período da Festa da Irmandade da Boa Morte e prevê, em seu último dia, a participação das gestoras nessa celebração. Formada exclusivamente por mulheres negras, a Irmandade preserva há mais de dois séculos práticas de fé, solidariedade, memória e resistência. Sua história está associada às lutas pela liberdade de pessoas escravizadas, ao enfrentamento do racismo e à afirmação do protagonismo feminino negro. A Festa da Boa Morte é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia desde 2010. Conheça mais sobre essa história na UFRB.


Realizar o encontro nesse território aproxima as experiências contemporâneas de liderança universitária de uma longa tradição de organização coletiva de mulheres negras. O aquilombamento, nesse contexto, não aparece apenas como tema, mas como prática de construção de redes, circulação de saberes, cuidado mútuo e ação política.


Uma programação de alcance nacional

A programação anunciada reúne representantes da UFRB, UFBA, UEFS, UNEB, UNIRIO, UFPel, UFPR, UFSC, UFMG, IFMG e de outras instituições. Entre os destaques estão a conferência magna de Carla Akotirene, sobre mulheres negras em espaços de poder; a roda de conversa sobre o protagonismo de gestoras negras na universidade, com a participação de Cássia Virgínia e outras lideranças; e a conferência sobre trajetórias de mulheres negras na alta gestão, com Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, e executivas da instituição.


O encontro também promoverá debates sobre políticas institucionais de prevenção e enfrentamento à violência, racismo e sexismo nas universidades, ações afirmativas e formação de lideranças negras femininas. A agenda inclui ainda grupos de trabalho, plenária de encaminhamentos, visita à Rota da Liberdade, no Quilombo Kaonge, e participação na Festa da Irmandade da Boa Morte.


Ao apoiar essa iniciativa, a EduWellTech reafirma que inovação, tecnologia e produção de evidências científicas somente adquirem sentido institucional quando contribuem para ampliar direitos, fortalecer redes de cuidado e enfrentar desigualdades. Escutar e reconhecer as experiências das mulheres negras que ocupam espaços de liderança é parte indispensável da construção de universidades mais equitativas, saudáveis, democráticas e socialmente comprometidas.


Serviço

As inscrições são destinadas exclusivamente a mulheres negras que exercem funções de gestão em Instituições de Ensino Superior.


II Encontro de Gestoras Negras: Protagonismo, Aquilombamento e Justiça Racial na Universidade

Data: 13 a 15 de agosto de 2026

Local: Auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB – CAHL/UFRB Cidade: Cachoeira, Bahia

Inscrições para participação remota até 13/08: acesse o formulário AQUI Contato: nugeds@propaae.ufrb.edu.br



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