Mãos Dadas: UFBA e EduWellTech encerram escuta estudantil sobre saúde mental na universidade
- Liz Agnes da Silva Leite
- 6 de ago.
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Atualizado: há 5 dias

Como compreender a experiência de estudantes de uma universidade complexa e diversa sem reduzir suas vivências a números isolados?
Essa é uma das questões que orientam o Projeto de Convivência Universitária Mãos Dadas, iniciativa que concluiu uma importante etapa de pesquisa na Universidade Federal da Bahia.
Em 1º de julho de 2026, foi encerrada a etapa quantitativa da escuta estudantil realizada no âmbito da cooperação técnico-científica entre a UFBA e a EduWellTech. Após a organização, o tratamento e a verificação de consistência dos dados, 1.173 estudantes passaram a compor a base analítica da pesquisa.
O número supera a referência técnica de aproximadamente 1.160 participantes, estabelecida no planejamento da coleta para a validação do protocolo psicométrico desenvolvido pela EduWellTech.
Mais do que representar o encerramento de uma etapa de campo, a consolidação dessa base marca o avanço de uma pesquisa voltada a compreender diferentes dimensões da experiência universitária e a produzir evidências que possam contribuir para o planejamento de políticas de cuidado, permanência e bem-estar estudantil.
Uma escuta que alcançou diferentes trajetórias acadêmicas
A diversidade da base é um dos aspectos relevantes da pesquisa.
Dos 1.173 participantes, 824 eram estudantes de graduação, correspondendo a 70,2% da amostra. Outros 349 estavam vinculados à pós-graduação, sendo 340 estudantes de programas stricto sensu e nove de cursos lato sensu.
Na graduação, foram registradas participações de estudantes de 77 cursos diferentes.
Na pós-graduação, os participantes estavam distribuídos pelas nove grandes áreas do conhecimento consideradas na análise, contemplando campos como Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas, Engenharias, Ciências Agrárias, Linguística, Letras e Artes e programas multidisciplinares.
A diversidade também aparece na faixa etária. A mediana de idade dos participantes foi de 28 anos, enquanto metade dos respondentes tinha entre 22 e 39 anos.
Essa composição reúne pessoas em diferentes etapas de formação, trajetórias acadêmicas e momentos de vida — elemento importante para uma pesquisa que busca compreender a experiência universitária em sua complexidade.
Amplitude da base exige interpretação responsável
A pesquisa contou com participação voluntária e amostragem não probabilística. Por isso, os resultados não devem ser interpretados como uma reprodução automática da composição de toda a população estudantil da UFBA.
Essa ressalva metodológica é fundamental.
A amplitude e a diversidade da base fortalecem seu potencial analítico, mas não eliminam os limites próprios do desenho da pesquisa. Reconhecer essas características faz parte do compromisso da cooperação com uma produção científica responsável e com uma comunicação adequada das evidências.
1.173 estudantes, 77 cursos de graduação e 9 grandes áreas do conhecimento
Saúde mental para além dos sintomas
O protocolo utilizado na pesquisa parte de uma compreensão multidimensional da saúde mental.
Em vez de observar apenas a presença ou ausência de sintomas, a investigação considera diferentes dimensões que atravessam a vida universitária, incluindo bem-estar, pertencimento, relações acadêmicas, suporte social, condições de permanência e acesso a recursos institucionais.
A proposta é compreender não apenas como os estudantes estão, mas também quais condições podem influenciar suas experiências dentro da universidade.
Entre as questões que orientam a investigação estão:
Quais condições favorecem o bem-estar, o pertencimento e a permanência na universidade?
Como as relações acadêmicas e as redes de apoio atravessam a experiência estudantil?
De que maneira alimentação, mobilidade, descanso, condições de estudo e recursos materiais se relacionam com o cotidiano universitário?
Quais condições devem ser consideradas no planejamento das políticas institucionais de cuidado?
Quais barreiras podem dificultar o conhecimento e o acesso aos serviços de apoio?
Como indicadores agregados podem ajudar a gestão a estabelecer prioridades sem estigmatizar pessoas ou grupos?
Essa abordagem parte de uma compreensão central: a saúde mental não acontece isoladamente dentro de cada indivíduo.
Ela também é atravessada pelas relações, pelas condições de vida, pelas redes de proteção e pelo ambiente institucional no qual cada pessoa estuda, convive e constrói seus projetos de futuro.
Da escuta à inteligência institucional
Produzir dados é apenas uma etapa do processo.
Para a EduWellTech, a tecnologia aplicada à saúde mental não substitui o cuidado, a escuta profissional ou a responsabilidade das instituições. Seu papel é ampliar a capacidade de produzir, organizar e interpretar evidências sobre fenômenos complexos.
Uma base de dados se torna estratégica quando consegue ajudar a responder perguntas relevantes para quem precisa tomar decisões.
A pesquisa busca contribuir para que as instituições possam:
compreender demandas psicossociais de forma integrada;
relacionar saúde mental, pertencimento e permanência;
identificar fatores coletivos de risco e proteção;
qualificar a comunicação e o acesso às redes de apoio;
estabelecer prioridades institucionais;
acompanhar estratégias e políticas de cuidado.
O desafio não está apenas em produzir dados. Está em transformar dados em evidências e evidências em capacidade institucional de agir.
É nessa interface que a EduWellTech desenvolve sua atuação em pesquisa aplicada e inteligência psicossocial, aproximando ciência, dados e gestão para apoiar instituições na compreensão de seus contextos.
Uma coleta construída em cooperação
A coleta foi direcionada a estudantes de graduação e pós-graduação e contou com uma estratégia de mobilização articulada aos canais institucionais da universidade.
O processo ocorreu em diálogo com a Administração Central da UFBA, o Gabinete da Reitoria e a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE).
A PROAE é responsável pela coordenação de políticas institucionais relacionadas às ações afirmativas e à assistência estudantil na universidade, incluindo iniciativas voltadas à permanência estudantil.
Nesse arranjo, a UFBA e o Projeto Mãos Dadas mantiveram o protagonismo institucional da iniciativa, enquanto a EduWellTech ofereceu suporte técnico-científico à estruturação da pesquisa, à gestão da coleta e à preparação dos dados para análise.
A cooperação reúne, assim, conhecimento acadêmico, experiência institucional e capacidade técnica para investigar questões relacionadas à experiência estudantil e à saúde mental no contexto universitário.
Proteção de dados também é parte da pesquisa
Com o encerramento da coleta, o trabalho avança para o aprofundamento das análises e para a elaboração de sínteses técnicas e executivas destinadas à Administração Central da UFBA, especialmente ao Gabinete da Reitoria e à PROAE, além das demais instâncias universitárias competentes.
Os resultados também deverão dialogar com o processo de mapeamento e fortalecimento da Rede de Proteção Psicossocial da Universidade.
Por envolver informações pessoais e sensíveis, o trabalho exige atenção não apenas à qualidade metodológica da análise, mas também à proteção das pessoas que participaram da pesquisa.
As análises são realizadas de forma agregada e seguem os compromissos de confidencialidade, governança e proteção das informações estabelecidos no âmbito da cooperação.
A própria política institucional da UFBA estabelece diretrizes de proteção e sigilo para informações apresentadas à PROAE no contexto da assistência estudantil.
Para a EduWellTech, essa proteção não é uma etapa acessória da pesquisa.
Cuidar dos dados também é cuidar das pessoas que confiaram suas experiências à pesquisa.
O que vem depois da coleta?
A conclusão da etapa quantitativa abre uma nova fase do Projeto Mãos Dadas: aprofundar as análises e transformar as informações coletadas em conhecimento capaz de apoiar a universidade.
A pergunta deixa de ser apenas:
“O que os estudantes estão vivenciando?”
E passa a incluir:
“O que essas evidências podem nos ajudar a compreender, priorizar e fazer diferente?”
Essa passagem — da escuta para a análise e da análise para a ação — está no centro da proposta de pesquisa aplicada da EduWellTech.
A experiência construída em parceria com a UFBA fortalece uma abordagem que integra ciência, tecnologia e impacto social para compreender fenômenos psicossociais e apoiar instituições educacionais na construção de ambientes mais saudáveis, inclusivos e sustentáveis.
Pesquisa aplicada para decisões orientadas por evidências
Instituições que desejam compreender seus desafios psicossociais precisam de mais do que dados isolados.
Precisam de método, contexto, proteção, capacidade analítica e caminhos para transformar conhecimento em ação.
A EduWellTech desenvolve soluções de pesquisa aplicada e inteligência psicossocial para apoiar instituições na produção de diagnósticos, indicadores e evidências sobre saúde mental, bem-estar e experiência institucional.
A proposta é contribuir para que universidades e outras organizações possam compreender melhor seus contextos, reconhecer fatores de risco e proteção e fortalecer estratégias de cuidado, permanência e bem-viver.
Porque escutar é o primeiro passo. Compreender é o segundo. E transformar evidências em decisões responsáveis é o que dá sentido à pesquisa.
Conheça a atuação da EduWellTech
Quer compreender melhor a experiência psicossocial da sua instituição?
Conheça as soluções de pesquisa aplicada e inteligência psicossocial da EduWellTech e saiba como dados, ciência e tecnologia podem apoiar diagnósticos institucionais e estratégias orientadas por evidências.
Fontes: Projeto Mãos Dadas / UFBA e EduWellTech.


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